6 de janeiro de 2012



REFLEXO DA LUZ... 

Editora: Clube de Autores.
1ª Edição, 2011.
ISBN: 978-85-912892-6-4
Nº de páginas: 358  
Sinopse: 

“Nem todo é o que aparenta ser, e nem todo, quase sempre, sabe bem o que é; bem-aventurado é aquele que tem consciência das suas limitações e usa o pouco das suas virtudes praticando o bem, pois, mesmo que inconscientemente, sabe que o tempo não passa e que se renova dia-dia; ao contrário de outros, acredita que será sempre renovado, já que o tempo, assim como a vida, é eterno!”  

Esta é a narração da vida de um abnegado, iluminado e abençoado por Deus, desde sua tenra juventude até seus últimos dias. Um menino inteligente, muito dedicado, ótimo filho e excelente companheiro, extrovertido, animado, sem deixar de ser comprometido sendo admirado por suas atitudes responsáveis desde muito jovem. E que bem por isso, por sua simpatia, carisma e dedicação, ao longo da vida foi amado e querido por todos. Além do que, na sua fase adulta foi um homem que dedicou sua vida inteira praticando o bem, procurando ajudar o próximo sem medir esforços. Filho de gente humilde que, com determinação e empenho nos estudos, se tornou um médico aplicado, sendo reconhecido pelos seus feitos na área da medicina tendo inquestionável sucesso profissional como pesquisador com suas descobertas científicas. Mas que, apesar disso, foi um instrumento de Deus. História de alguém com uma vida admirável e invejável que, com fé e devoção, de forma contínua quase permanente, impelido por força divina, realizava milagres livrando às pessoas dos males que as acometiam. Enfim, a história de alguém como poucos..
.
               


Primeiras páginas.

Capítulo I

         Manhã chuvosa que dificulta e atrapalha tirando o ânimo de qualquer um; mas a ele não, não esmorece, e se dedica trabalhando com afinco... Ainda não passa das dez; aqui e ali, por entre os carros, orienta e acompanha o trabalho dos empregados, – muito serviço, tinha conceito e com isso boa clientela. A motivação, apesar do dia não encorajar, não era simplesmente pela obrigação de fazer, mas sim pelo prazer de atender e fazer bem feito; sabia que um cliente agradado sempre trazia um novo e com isso, além dos empregos que gerava, mantinha o padrão de vida dos seus.
          Antônio, homem alto e forte, de origem humilde, sem vícios, semblante firme e fala franca, dedicado ao trabalho, um mecânico – como se dizia – de mão cheia; respeitado por todos e dedicado à família: esposa e dois filhos, – um menino e uma menina mais nova. Amoroso e atencioso com os filhos e com a esposa, sua grande paixão. Vivia em um bairro vicinal à grande metrópole, – bairro de classe média baixa; onde tinha também, uma oficina mecânica, – conserto de automóveis. A esposa: Teresa, – também de origem humilde – mulher de hábitos simples, mas muito bonita; prendada, simpática, gentil, atenciosa e cuidadosa principalmente com os filhos, que eram sua razão de viver... Assim, os dois, como enamorados, criavam os filhos num ambiente pleno de harmonia, paz e amor, respeito e atenção; propiciando crescerem de forma sadia, sem traumas ou vícios, – crianças alegres e felizes... Além do carinho e atenção, uma das grandes preocupações era com a formação das crianças; procuravam oferecer o melhor nível possível de ensino, assim, mesmo que pagando, por julgarem mais rigoroso e mais sério, as crianças estudavam em um colégio de padres.                    
         No pequeno escritório da oficina, – num dia de pouca opção, na escrivaninha mexe com a papelada coisas assim. Um empregado entra avisando que alguém lhe procura pra falar. Dali mesmo, pela porta, consegue ver um senhor parado de guarda-chuva aberto na calçada em frente à oficina; reconhece quem é, e muito prontamente vira para o empregado.
           — Luizinho, por favor, diga pra entrar! Tá chovendo muito, peça pra vir aqui no escritório.
           Em segundos já observa o homem entrando com o guarda-chuva aberto. Logo em seguida, embaixo da cobertura, vê fechar e caminhar com o guarda-chuva fechado e a água correndo por ele como numa bica; a certa distância, ainda fora do escritório, ouve o homem exclamar:
            — Puxa..., seu Antônio, como chove!
            Já em pé, da porta do escritório aguardando, sorrindo confirma.
         — Pois é, seu Mario, chove a cântaros! Mas, por favor, pode deixar o guarda-chuva encostado nessa parede e sente-se aqui!
       Diz isso, senta e da escrivaninha observa o homem deixar o guarda-chuva e entrar se expressando jocoso.
         —  Um dia como esse é bom pro senhor, não?
            — Como bom?... – perguntou estranhando, porém entende que só pode ser brincadeira, pois a pessoa, já sentada à sua frente, lhe olha ainda aos risos. 
           — Com uma chuva dessas, não dá pro senhor trabalhar. – disse a pessoa. E não trabalhar, eu acho bom! Ou não? 
           Entende a brincadeira e ri respondendo como que se justifi-cando com ironia dele mesmo.
         — Pode parecer bom, mas não é não! A gente só consegue trabalhar nos carros que estão em baixo da cobertura. Pode parecer engraçado, mas só me lembro de cobrir o resto da oficina nessa época do ano. E olhe lá, seu Mario... – disse apontado. Num dia como hoje, a maioria fica parada pelos cantos, ninguém trabalha.
           — É! Dá pra notar! – disse o homem. Desse jeito vai ter que cobrir o resto da oficina, senão só vai ter prejuízo.
          — Pois é, tem razão, seu Mario! Tenho relutado, mas não vejo mais saída, pois atrasa todo nosso serviço. Mas o do senhor, como vê, está em baixo da cobertura e vou entregá-lo no prazo que combinamos, fique tranquilo... Foi por isso que veio?
           — Por esse e por outro motivo! Sai pra passear um pouco e, sem ter o que fazer, acabei indo à paróquia, rezar um pouco, sabe como é? Ao sair resolvi ir ao colégio procurar Frei Bento, gosto muito de falar com aquele padre. E em conversa, ao saber que viria aqui, me pediu pra lhe dar um recado, então essa é a outra razão de estar aqui.
          — Ah, é?... Recado do Frei Bento? E que recado?
             — Pediu pra dizer que gostaria muito de falar consigo no domingo após a missa.
         — Puxa, que legal! Gosto muito daquele padre também, e vou com prazer procurá-lo. Mas estou curioso! O que será que ele quer, o senhor sabe?
           — Disse que quer falar sobre seu filho.
          Até se assusta quando ouve, – olha espantado, surpreso, se expressando como se falasse consigo mesmo.
           -- Falar de Pedro Henrique?... O que pode ser?..."  – murmurou incrédulo franzindo a testa e olhando tão assustado que já põe risos na pessoa.     
          — Calma, seu Antônio!... O senhor, mais que ninguém, sabe que seu filho é um dos melhores, se não o melhor aluno do colégio, portanto, fique sossegado! 
            Ficar sossegado, como?... Não tem como! Assustado e com muita dúvida, sem certeza de nada, inseguro continua falando como se fosse pra ele.
           — Ué!... Se não for da escola, o que poderá ser? Meu garoto é meio levado, sabe? Coisa da idade!... Será que andou aprontando alguma por lá?
           O homem olha aos risos.
         — Não, não aprontou nada não, fique tranquilo! Ao contrário, o padre falou que ele não é só um aluno precoce e inteligente, acha que ele tem outros predicados, e é sobre isso que quer falar.
          Antonio estranha a afirmação e ainda espantado expressa dúvida.
         — Bom, não vou negar, apesar de ser meu garoto e por ter muito orgulho dele, ele é, além de estudioso e dedicado, muito atencioso, obediente e prestativo, mas isso é como qualquer garoto educado. – falou e o homem já ri com ele.
        — Ai, o senhor se engana! Segundo o padre, ele não é como qualquer garoto. E quando aquele padre fala meu caro, acredito, pois acho que ele sabe de coisas que nunca saberemos.
         — Como assim?... Continuo não entendendo!
        — Não nego que também fiquei curioso, pois ele me disse que seu filho tem a virtude de poucos. Que é dotado de uma premonição divina que não é comum.
         — Premonição divina?... O que será que quer dizer com isso? – se expressou agora muito mais espantado e cheio de curiosidade. A pessoa já mudando o semblante, demonstrando claramente não saber o que responder, já levanta pra ir.  
         — Desculpa seu Antônio, no domingo, com certeza, saberá com mais detalhes. Agora me diga! Meu carro fica pronto na sexta?
         Lamenta não saber mais detalhes e de ficar com as dúvidas pra ele, entretanto, precisa agradar o cliente.  
         — Fique sossegado! Pode apanhá-lo depois de amanhã!
         — Bom, já que é assim, vou indo e espero que a chuva não atrapalhe demais o senhor! – em pé, disse o homem em puro tom de brincadeira querendo se mostrar simpático e já vai saindo. 
         — Tá bom, seu Mario! – disse ele. Muito obrigado pelo recado e pela conversa que tivemos. Na sexta lhe espero! – mostrando gentileza acompanha a pessoa até a porta do escritório; se despede dando a mão e, ainda na porta, fica por momentos vendo o homem ir, pensativo no que ouviu...
         Relâmpagos cortam o céu, – trovões de ensurdecer; chove tão forte, que do beiral do telhado a água cai não em goteiras, mas como cascata de tanto que chove. Ouvindo os risos e as brincadeiras dos empregados, que, impossibilitados, brincam uns com os outros, novamente se senta à escrivaninha e volta a pensar. “Premonição divina?... Meu garoto?... Puxa, não vejo à hora de falar com o padre!”
         Ainda por minutos, inebriado, olha pela porta do escritório a chuva que cai; depois de suspirar fundo e como quem acorda, levanta e da porta brinca com alguns dos mecânicos encostados na parede e outros sentados no chão.
         — Ô rapaziada! Que moleza é essa? Ninguém trabalha, não? – falou sério e ouve rirem; em seguida ri, mas com ele, – ri por dentro.
         — Tem dó né, seu Antônio! – disse um deles. Trabalhar numa chuva dessas? Não dá mesmo!
         Tenta disfarçar a vontade de rir, ainda olhando com cara de sério.
         — É né, Luizinho? Eles até concordo ficarem parados, mas você e outros aí podem muito bem trabalhar, pois os carros estão na cobertura. – falou e ri com outro dos rapazes.
         — Ah, seu Antônio, quebra nosso galho, vai! Estamos espe-rando a hora do almoço!
         — Não diga?... – disse ele já rindo. Esperando a hora do almoço?... Tá bom! Vamos ver depois do almoço? Tenho um leve pressentimento que São Pedro vai acabar com essa moleza, vai pôr todo mundo pra trabalhar! Agora, já que não estão fazendo nada mesmo, vamos almoçar, vai! – falou e vê a alegria estampada em todos...
      Minutos mais, apesar das brincadeiras que o fizeram rir, sai da oficina e vai pra casa caminhando apreensivo pensando no filho, – em Pedro Henrique: menino dos seus onze pra doze anos; garoto saudável, esperto, inteligente, estudioso, sério e muito dedicado. Ótimo filho, atencioso, educado, gentil e obediente; sempre alegre disposto e solícito. Esguio, porém já mostrando que será forte como o pai; pele clara, cabelos ondulados castanho-escuro; olhos castanhos, grossas sobrancelhas, rosto delicado, de semblante simpático e sereno. Menino sincero, excelente aluno e bom companheiro.
      Pois é com esse menino, – com Pedro Henrique, que começa propriamente a nossa história; ele é o nosso protagonista...



5 comentários:

Anônimo disse...

Estou surpreso com essa obra, não dá nem vontade de parar de ler! Que tema interessante! Parabéns!

Robson Candiani

• Ӗwerton Ľenildo. disse...

Adorei hehehehe
Me parece ótimo (; Sem dúvida quero ler hoho
Abração .

Ewerton Lenildo - Academia de Leitura
papeldeumlivro.blogspot.com
@Papeldeumlivro

Professora Valdete Cantu disse...

Parabéns pelo sucesso dos seus livros. Ótimo final de semana.Um abraço.

Lara Duarte disse...

Olá!
Gostei muito mesmo do primeiro capitulo!
Parabéns pelas tuas obras, quero ler alguma! ^^

Um beijo
Lara - Magia Literária

fatti___ disse...

tb gostei muito do seu espaço,obrigada pelo convite , seja bem vindo semre estarei aqui para acompanhar suas obras.

bjús , feliz páscoa!