1 de dezembro de 2012

Contos e Prosas - apresenta a criação de:


Um Estranho Casal

A brancura da cortina contrastava com o vermelho das paredes e o cetim preto do lençol. Ao longe, o oceano e aquele calor diabólico, aumentavam sua excitação.
Havia preparado tudo para recebê-lo: a roupa de couro, o chicote, os morangos, o champanhe, velas perfumadas, pétalas de rosa espalhadas na cama e pelo chão de madeira.
Alan entrou. Estudou atentamente o cenário. Não demonstrou nenhuma emoção.
Se Anne fosse se basear na expressão facial de Alan, nunca saberia o que ele pensava - ou sentia. O rosto dele parecia de mármore.
“E ele deveria estar pensando o mesmo sobre ela.”
Alan estendeu o braço e puxou-a para si. Cheirou-lhe os cabelos, para conferir. Não tolerava certos odores. Satisfeito, beijou-lhe os lábios, mordendo-os levemente.
Anne retribuiu, porém, com mais vigor. Ficava um tanto abrupta, quando não estava no controle.
— Hummm - murmurou Alan, levando a ponta do dedo ao lábio, que sangrou um pouco.
Olhou atentamente para a cama e num gesto brusco retirou o lençol, atirando-o ao chão, contra a parede, perto da janela.
— Eu não gosto de flores - exclamou Alan.
— É que eu adoro rosas. Você sabe,... mulheres gostam de rosas.
— Tolice. Não quero flores!... na próxima vez.
— Entendi. E... do que mais você não gostou?
— Prefiro lençol vermelho. A cor preta me lembra o lugar escuro onde me deixavam de castigo, quando criança. O vermelho... o vermelho me acalma.
— Ok. Farei isso. Mais alguma coisa?
— Velas...elas me inflamam lembranças horrendas. O incêndio que provoquei. As labaredas sufocantes. Os gritos. O odor de carne queimando. A...
— Sem velas, então! Pronto, já apaguei!!
— Morangos...
— O que têm eles?
— Escondi o cadáver de uma jovem, tempos atrás, num tanque cheio de morangos, em uma indústria de geleias.
— Certo. Vou levar os morangos pra cozinha.
— A roupa de couro...
— O que foi? O couro também faz você lembrar de algo??
— Não. Sim. Bem, não é esse o caso. Tire-a!...
Anne despiu-se e ficou ao lado da cama, nua, segurando o chicote. Por alguns instantes, ela achou que ele fosse pegar o chicote e açoitá-la até à morte. Pensou nisso, porque a ideia de matá-lo a chicotadas lhe ocorreu. Mas, seria um desperdício trucidá-lo, antes de saber de quanta frieza ele era capaz.
Alan aproximou-se. Retalhou-a em pedacinhos, com o olhar.
“Maldição! Ele estava no controle, não ela. E isso era tão... tão sedutor!”
O corpo de Alan estava agora bem perto.
Anne não desgrudou os olhos dele. Preparou-se para revidar, caso ele a atacasse. Alan, no entanto, jogou-se nela com ardor, como se quisesse saciar uma sede de muitos anos. O rosto de lua de Anne, iluminou-se.
Faminto, Alan jogou o chicote longe. Não iria precisar dele.
Sem fechar os olhos, beijou-a. E sentindo o corpo inteiro de Anne, sem medo, entregando-se ao seu, deixou-se dominar, fechando os olhos e compartilhando a loucura. Explorou a pele macia de Anne, enquanto a penetrava, com um misto de paixão e desespero. Quando aumentou o ritmo, sentiu dedos lhe apertando a garganta. Fez o mesmo. Espremeu-lhe o pescoço, sufocando-a, com doçura.
Rápido. Mais rápido. Ávidas bocas. Mãos homicidas que desciam sobre o corpo como carinhosos cutelos. Unhas, cravando amorosamente nas carnes. Dentes que mordiscavam, quando na verdade queriam dilacerar. Dois bárbaros na arena. Olhares fulminantes, atentos aos movimentos da presa. Duelaram, por algum tempo, entre gemidos, suspiros e gozos.
Pela manhã, ambos acordaram saciados, exauridos.
»«
Alan sacudiu a cabeça para desanuviá-la. Estava um pouco tonto. Precisava sair dali. Precisava beber algo forte. Precisava... matar alguém. Mas não Anne. Não. Ela era psicopata, como ele. E ele precisava dela. Ao menos, até completar o ritual.
»«
Anne espichou-se na cama. Levantou-se. Precisava de um banho. Precisava refrescar a cabeça. Precisava... matar alguém. Mas não Alan. Não. Ele era psicopata, como ela. E ela precisava dele. Ao menos, até completar o ritual.

Rosa Mattos
Direitos Autorais Reservados ®

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28 comentários:

VILMA PIVA disse...

Olá Rosa, teu conto é surpreendente!
Tem todos os componentes para uma narrativa cativante. Adorei!! Parabéns! Bjs.

Sónia M. disse...

Um conto que me cativou do inicio ao fim!! Muito bom! Gostei muito.

Os meus parabéns à autora Rosa Mattos :)

Deixo um beijo e um abraço
Sónia

J.R. Bom fim de semana
Beijo :)

MARIA MACHADO disse...

Um conto lindo! Um estranho casal! Com uma paixão ardente, e louca! Parabéns! Um belo conto! Bjs.

Bom dia!

elvira carvalho disse...

O conto surpreendeu-me e prendeu a minha atenção até ao ponto final. Parabéns para a autora.
Um abraço e bom fim de semana.

Bom fim de semanan para si também J. R.

Sissym disse...

Este conto, amigo, é surpreendente e muito bem elaborado!

BEIJOS e otimo final de semana!

Dorli disse...

Oi
Ai, que medo: dois psicopatas num amor delirante e apaixonante.
Fiquei com medo que ele a matasse, mas poderia ser o contrário ou nada disso.
Ah! Adorei a sua criação
Parabéns Rosa Mattos, com louvor
Um beijo
Lua Singular

Carmen Lúcia.Prazer de Escrever disse...

Parabéns Rosa Mattos.Lindo conto.Repleto de mistérios,mas que nos deixa elvolvidos até o fim para ver o final.

Bjs.
Carmen Lúcia

Evanir disse...

Amiga Rosa.
Eu não me surpreendi diante da beleza da beleza do seu conto.
Eu já não sei quantos anos somos amigas e sempre fui sua fã.
Já li tantos e tantos contos seus cada um me surpriendia mais e mais , as cenas de uma beleza exuberante.
Parabéns amiga querida sua eterna admiradora e amiga,Evanir.

Arione Torres disse...

Oi amigo, gostei da história da Rosa Mattos, muito interessante...
Tenha uma ótima semana, abraços.

Clarice Moreno disse...

BRAVO BRAVO! Ufa... Rosa Mattos fiquei ofegante ao ler este belíssimo conto, você escreveu com tamanha propriedades nas palavras e parágrafos, me chamou atenção do início ao fim... Um conto sedutor, intrigante, selvagem, mas em perfeita dosagem! PARABÉNS
Um feliz fim de semana, beijos.
Clarice Moreno

Janete Sales (Dany) disse...

OLá Amigo!

Meus parabéns pelo respeito ao autor e pelo jeito brilhante na qual você está apresentando este Contos e Prosas!Feliz em ser sua amiga!

E quanto ao Conto de Rosa Mattos quero dizer que é muito bem elaborado, prende a atenção... é um conto adorável!Aplausos!

Um abraços a todos

Clarice Moreno disse...

Meu querido amigo J.R.Viviani, parabéns por mais este maravilhoso evento, começou com dois fantásticos contos, de grandes e belíssimas escritoras.
Meu querido vou acompanhar este belo trabalho.
Um grande abraço espero sua visita em meu espaço, já estou com saudades de seus comentários.
Bjs!
Clarice Moreno

Bento Sales disse...

Olá, amiga Rosa!
Conto envolvente, emocionante e muito bem tramado.
Tens bom domínio sobre a narrativa, diálogo e linguagem.
Os protagonistas foram feitos um para o outro, por se assemelharem tanto.
Em questão de amor, tudo é válido.

Parabéns para ti, pelo conto e para nosso amigo Viviani pelo nobre trabalho.

Abraços a ambos.

Dídimo Gusmão disse...

Rosa,

Que conto fascinante! O enredo então, fascinante. Achei de maravilhoso.
Parabéns!

Abraços literários.

http://didimogusmao.blogspot.com.br/

Pedro Luis López Pérez (PL.LP) disse...

Un auténtico cuento con su enredo y sus anécdotas en ese extraño matrimonio.
Un abrazo.

Zilani Célia disse...

OI ROSA!
UM CONTO COM TODOS OS INGREDIENTE PARA NOS PRENDER TOTALMENTE, AMOR, SEXO E UM INSTIGANTE MISTÉRIO, MUITO BOM MESMO ROSA.
PARABÉNS.
zilanicelia.blogspot.com.br/

VIVENDO A VIDA ASSIM... disse...

Muito bom e excitante!! Dois estranhos apaixonados, quanta loucura. Parabéns Rosa, gostei muito mesmo. Beijos Suzana. (www.sfersete.blogspot.com.br - VIVENDO A VIDA ASSIM...)

Bia Hain disse...

Nossa, que conto esse da Rosa, de tirar o fôlego! Será possível, um psicopata protegendo o outro de si mesmo? Surpreendente, um abraço!

zé antonio disse...

Parabéns, muito bom e excitante!!!Aguardo parte 2 ou a continuação.

Lu Nogfer disse...

Olá amigo J.R.!

Finalmente a tao esperada abertura do lindo evento!
E por sinal, muito bem representada! Parabens a autora Rosa que nos presenteia com uma leitura incrivelmente saborosa!

Abraços!

Rosa Mattos disse...

Boa noite a todos!

Quero agradecer a cada um de vocês pelas palavras gentis...muito obrigada. Não fazem ideia do quanto fico contente em saber que gostaram de ler meu conto. Valeu mesmo!

Ao zé antonio - agradeço os cumprimentos e o interesse em ler mais sobre a história, mas embora haja gancho para uma sequência, o conto se encerra dessa forma, deixando em aberto o destino de cada personagem.

Parabéns querido amigo JR pela organização impecável do evento e mais uma vez obrigada pelo convite.

Adorei participar.

Um abraço!

Rosa Mattos
http://contosdarosa.blogspot.com

MARIA DA FONTE disse...

Muito interessantes estes psicopatas.
Gostei. Abraços

Marli Franco disse...

Rosa parabéns pela criação !
Um conto cativante!
Congratulações JR. pela abertura do evento que com certeza já mostra um sucesso radiante.
bjs de violetas

Isa Lisboa disse...

É um final surpreendente! Nem sempre são os opostos que se atraem, por vezes são os pólos iguais...

Severa Cabral(escritora) disse...

MEU PEIXINHO DE ÁGUA DOCE !!!!

Vim te buscar para tomar um cafezinho comigo ,no Folhas de Outono!
Lugar de aconchego e carinho,te aguardo !
Bjs com sabor de convite !!!!!!!!

marylú disse...

UFA!!!! COMECEI A LER E ME IMAGINEI DENTRO DA ESTÓRIA, COMO SEMPRE ACONTECE COMIGO AO FAZER LEITURAS DE CONTOS E FATOS REAIS, FICO OFEGANTE QUASE PERDENDO A RESPIRAÇÃO...ME SENTI LENDO LITERATURAS COMO AS DE ÁLVARES DE AZEVEDO, MACHADO DE ASSIS, JORGE AMADO...NOSSA! QUE BELEZA DE CONTO...MUITO BOM!
PARABÉNS PELA BELÍSSIMA PARTICIPAÇÃO.


BEIJOS!!!!!!!!!!!!

Verinha Portella disse...

Seu trabalho é simplesmente encantador.
Brilhante!

abraços
vera portella

Lindalva disse...

Nossa fiquei ligada da primeira a última linha, como sempre amiga Rosa tu emociona. Beijos.