30 de dezembro de 2012

Contos e Prosas - apresenta a criação de:


Em meu peito a luz não habita mais.

Meu peito ardia em chamas, enquanto esperava os dias passarem lentamente. A cada hora que passava a dor aumentava e me fazia expelir as palavras, que eu tanto represei em minha alma. 
Ao colocá-las no papel, sentia um punhal cravar meu peito, e todas as feridas que haviam sido remendadas, foram abertas. Naquele instante, lágrimas começaram a jorrar em minha face, meu coração sangrava e minha razão se esvaiu.
O que havia guardado com medo de sentir, estava sentido agora, a flor da pele. Todas as marcas, todas as dores guardadas estavam todas pulsando em um ritmo frenético em mim. Me vi sozinha, ninguém apareceu para me ajudar, o telefone não tocou, a campainha não soou, ninguém veio.
Me encontrava sozinha no momento em que mais precisava de ajuda. E todas as lembranças de amigos sumiram da minha mente e todos os momentos bons, a tristeza já estava injetada em minhas veias e só eu não havia percebido. Todos se afastaram e só eu não entendi o por que. Agora descobri, a frieza me envolveu, a dor se tornou minha rotina. Sorrisos já não brotavam dos meus lábios e só as lágrimas faziam questão de aparecer.
Minha vida que sempre fora iluminada, perdera totalmente à luz, assim como minha casa, tudo escureceu, já não abro as cortinas para o sol entrar, não quero mais encarar a rua e nem as pessoas. A luz se perdera em meio a tanta escuridão que existe em mim. As palavras que antes me acalentavam, hoje só ferem. Essas mesmas palavras, que antes me faziam inventar amores eternos, mundos perfeitos, hoje só fazem escrever sobre dor (a minha dor). Já não consigo simular felicidade, se tento escrever sobre ela, as palavras simplesmente se vão.

Algumas semanas se passaram e a minha dor não se cala, mas não grito mais. As lágrimas ainda insistem em cair. Ainda não tenho forças para encarar a luz, tão pouco as pessoas, mas aos poucos vou deixando pequenas frestas de luz iluminar minha casa. Mas nada consegue iluminar a minha alma e o meu coração. Em mim ainda está tudo escuro, é como se lá fora já houvesse amanhecido e aqui dentro fosse noite, sem lua e sem estrelas, apenas escuridão.     
Sheila Cristiane
Direitos Autorais Reservados ®

 * Clique na foto e conheça o blog da autora.
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18 comentários:

Dorli disse...

Oi Sheila!
Quanta solidão!
Deu-me uma tristeza danada ao ler essa história, pois muitas pessoas são alheias a vida e nada fazem para mudar essa situação.
Espero que sua personagem muda, do contrário, não vai ver nem a copa de 2014
Solidão vira depressão e tem que cuidar, pois é como um punhal que vai se aproximando de nós paulatinamente. Ela é cruel e mata.
História triste, mas muitos vivem enclausurados no seu próprio eu, e é difícil sair dessa, mas não é impossível.
Beijos
Boa sorte
Lua Singular

Sónia M. disse...

Nada é eterno, até a escuridão da noite dá lugar à luz dia...
Um conto à flor da pele, gostei muito.
Parabéns à autora.
Deixo um forte abraço
Sónia

Carmen Lúcia.Prazer de Escrever disse...

Sheila querida,sei que é um conto e espero que seja!Essa solidão e amargura algum dia todos nós passamos,mas se isso nos acontecer somente Deus e a auto ajuda nos fará sair dessa quase depressão.

Um grande beijo e Feliz 2013 com muita Luz.

Carmen Lúcia-mamymilu.blogspot.com

Pedro Luis López Pérez (PL.LP) disse...

Nostalgias, saudades y melancolías que atenazan nuestro espíritu y lo llenan de sombras que, con perseverancia y fé, pronto serán luces.
Precioso cuento.
Um abraço.

POR TODA MINHA VIDA disse...

Sheila um lindo e triste conto mais tenha a certeza quando já não gritamos a beleza da vida ressurgirá dentro em breve as lagrimas são como um cristal a coloris nos reflexos do sol este teu lindo coração parabéns pela beleza Pedro Pugliese

Bia Hain disse...

Sheila, são duros períodos assim, em que a solidão parece ser dona do nosso corpo e alma. Deixar a luz entrar é um processo demorado, mas o único meio de seguir adiante em busca da felicidade. Lindo texto, um abraço!

Tunin disse...

Poeticamente o texto é rico, mas muito triste, beirando ao desespero. Tudo passa nesta vida e a esperança é o melhor remédio.
Feliz 2013!
Abração.

Nádia Santos disse...

Por vezes, na vida, passamos por momentos tão dificeis que só a escuridão é nosso refúgio. Mas um dia nossa alma vai gritar por luz e a ela procuramos. Nenhuma tristeza é pra sempre. Bjus querida e feliz 2013 para ti.

luís rodrigues coelho Coelho disse...

Que o novo Ano seja bom e que não seja uma ilusão mas uma certeza.

Patricia Galis disse...

Simplesmente adoreiii..menina que inspiração, parabéns!!!

Desejo a ti e td sua família um ano novo repleto de paz, saúde e sonhos realizados.

*Escritora de Artes* disse...

Olá Sheila,

Descreveu a dor de uma maneira forte e intensa, sentida e doída...

A dor da alma foi tanta que para aprender a lidar com ela transformou-a em poesia...parabéns!

Que 2013 venha com muita luz e paz..

Abçs

António Manuel - Tómanel disse...

Neste primeiro dia do ano de 2013, fiz gosto em visitar a sua página e aqui deixar-lhe uma mensagem de esperança e ao mesmo tempo dizer-lhe que, com regularidade, passarei por aqui ao longo do ano.
Um abraço cá deste "nosso" Algarve - Portugal.
http://umraiodeluzefezseluz.blogspot.com

Cesar S. Farias disse...

O escritor de talento transita com habilidade entre sentimentos tão antagônicos como a alegria e a tristeza, por isso reconheço aqui a intensidade desse desabafo melancólico.

VILMA PIVA disse...

Olá Sheila, seu belo conto mostra o estado de espirito daqueles que sem luz no final do túnel volta-se para a solidão em si mesmo.
Que possamos iniciar mais um ano repleto de luzes de esperanças!
Beijos!!

Severa Cabral(escritora) disse...

Meu peixinho de água doce!!!!!!
O ano-novo já passou e um novo dia está começando !!!!
Venho te abraçar neste 2013 com muito carinho !
E perguntar se posso ficar fazendo morada por aqui por mais um ano ?
Bjs com o sabor de um novo dia !!!!!!!

elvira carvalho disse...

Um texto em que a tristeza, a dor e a solidão se agarram às palavras como lapa às rochas. Nada condizente com a fotografia da autora onde os olhos brilham num sorriso que a boca confirma.
Um abraço e um excelente 2013

Bento Sales disse...

Olá, amiga Sheila!
O conto é dramático, pois descreve sentimentos íntimos, mas muito bem escrito e genialmente inspirado.
Deu um brilho especial ao evento organizado pelo nosso nobre amigo Viviani.

Abraços a ambos.

Sandra Cristina de Carvalho disse...

Olá Sheyla, o seu conto me deixou angustiada, porque a sua personagem é muito sofrida, cheia de conflitos internos, vive numa escuridão interior de provocar compaixão. A nossa vida é assim, cheia de altos e baixos, ora luz, ora escuridão. Quando falta energia elétrica, a gente costuma acender velas, é uma alternativa de se continuar próxima da luz. A sua personagem não descobriu isso, que existem alternativas para se superar a dor de se sentir sozinha e em meio às trevas, como muita gente vive assim na realidade. Um conto sensível, soturno, mas muito bem contado e que merece estar aqui nesse espaço tão especial. Felicidades e que Deus te abençoe. Continue assim, com grandes inspirações literárias.
Paz e Luz!!!!