11 de dezembro de 2014

Meus Contos:


 

Lá vai pra vocês mais um Conto da minha autoria; espero que gostem.




Numa pacata cidade de interior, com pouco ou quase nenhum movimento, em um dia de semana, sem ter o que fazer, já aposentado e livre de qualquer obrigação, Luís Antônio, como sempre fazia pelas manhãs, procurava matar o tempo esperando as horas passarem sentado em um banco do jardim da praça central da cidade tendo, invariavelmente, ao lado o seu grande amigo – Homero; calados, sem trocarem palavra, olhando pra cá e pra acolá, os dois observavam os poucos transeuntes que circulavam tranquilos e calmamente, – passeavam, por entre as estreitas alamedas calçadas por pedriscos coloridos que entremeavam e circundavam os grandes gramados ajardinados ostentando os não poucos arbustos floridos mostrando flores de todos os matizes e formas.
Era uma manhã ensolarada de primavera; ainda não passava das nove, mas, apesar da hora, o sol quente que já pela manhã fazia suscitava que o dia seria muito quente – faria muito calor.
Com o sol já incomodando e ardendo à pele, por vezes, ele tirava o chapéu e se abanava tentando aplacar o calor que o fazia suar e acabava, com isso, olhando para o amigo ao lado que também lhe olhava e, logo em seguida, sem dizerem absolutamente nada um ao outro, trocando apenas leves sorrisos, os dois voltavam os olhares para o jardim e para as poucas pessoas tentando se distrair... 
Num dado instante, nesse olha pra cá olha pra lá, quebrando a rotina e levando pra bem longe o ostracismo e o ócio, eles viram passar exatamente defronte ao banco onde estavam sentados, uma bela e formosa rapariga – uma jovem capaz de despertar e atrair a atenção mexendo com qualquer mais bem-intencionado e devoto cristão; num esvoaçante e vaporoso vestido branco rodado de tecido leve e fino, curto deixando os joelhos e as pernas nuas à vista, além do que, por ser de alças e decotado nas costas até a cintura, mostrava o nu da pele clara como mármore das costas, dos ombros e do pescoço esguio; nas sandálias brancas de salto, em passos cadenciados e provocativos – como se desfilasse, lá ia ela passando calmamente pelos dois que não deixaram de acompanhar de olhos pregados – sem piscar, o rebolado dos fartos quadris e o balançar dos longos cabelos negros no caminhar ritmado e gracioso da linda jovem...
A cada passo da jovem e à medida que se distanciava, – sem tirar os olhos, extasiado com a beleza estonteante da moça, ele pensava de forma maliciosa:
“Ah..., meu tempo!...” 
Só foi ele pensar e, coincidentemente, com a jovem já a certa distância, os dois se entreolharam e ficaram sorrindo um ao outro, – os pensamentos marotos eram o motivo dos risos e provocou a conversa quebrando o silêncio.
— O que foi, Homero?... Tá rindo por quê? - indagou ao amigo.
— Nada! Não estou rindo de nada! – respondeu o amigo, mas lhe olhando aos sorrisos matreiros, forçando ele dizer:
— Fala meu!... Desembucha! Tá pensando no quê?
O amigo riu ainda mais e disse:
— Não estou pensando em nada!... Você sim, com o olhar de peixe morto que punha na moça, devia estar pensando em muitas coisas...
Ele riu-se e disse:
— Eu, né?... Pensando em muitas coisas. Você não?... Você é santinho. Você não pensa em nada. Tá bom! – falou e ficaram os dois rindo e calados olhando pra cá e pra lá.
Dentro em pouco, o amigo voltou comentando:
— Que moça bonita, hein Luís?...
Meneando a cabeça e sem olhar para o amigo – olhando pra frente, ele confirmou em tom murmurado parecendo meditar:
— É!... Põe bonita nisso!... – falou, inspirou fundo e virou pro amigo já falando em outro tom:
— Já pensou, Homero?
— O quê? – perguntou o amigo com ar malicioso sem deixar de rir.
— Você com uma mulher dessas? – disse ele olhando pro amigo e esboçando sorriso irônico. 
O amigo vendo a cara dele riu-se novamente e falou:
— Eu não!... Você tá louco?
— Louco, por quê? – indagou aos risos. Tá certo que você não tem mais idade pra essas aventuras. Mas não há nada de errado ter uma mulher bonita como aquela.
— Não é?.... Você é que pensa! – retrucou o amigo. 
Rindo os dois se calaram...
Vai daqui, vai dali, um olhava pra um lado o outro pro outro, assim ia e os dois calados sorriam pro nada...
Daí a pouco, eles voltaram a se olhar e rindo o amigo afirmou:
 — Meu caro, nem que eu fosse novo... Uma mulher como aquela eu não ia querer nunca, pode crer!...
Agora ele não riu, gargalhou batendo o pé no chão e foi falando aos risos de não se aguentar. 
— Ora, ora, Homero, deixa disso!... Que conversa é essa? Só porque é bonita, você acha que não seria mulher pra você?
O amigo rindo mais do que ele, falou: 
— Oh, Luís..., tenha dó! Aquela mulher não é bonita, passa disso... E você acha que eu ia suportar os “gabirus” rodeando? Eu ia ficar maluco, isso sim!
— Ficar maluco? Como assim, ficar maluco?
— Claro!... – disse Homero. O que você acha? Ia ter tanto cara dando em cima dela, que, de desconfiança, nem de casa eu sairia. Imagina então como seria a minha vida?... Só podia ficar louco!...
O amigo falou e de momento ele não disse nada, ficou rindo...
Dali a pouco, voltou zombando.
— Ah! Deixa de conversa mole... – disse ele rindo. Vai mentir pra mim? Eu lhe conheço e não é de hoje! Você pode pensar isso agora. Mesmo assim, meu amigo, eu tenho minhas desconfianças, pois como dizem o lobo perde o pelo, mas não perde a mania.
O amigo se esborrachando de rir falou:
— Desculpe Luís, mas o lobo aqui eu acho que é você. Eu vi bem os olhares que você pôs na moça...
Depois disso, depois que Homero falou, por bons momentos, os dois se calaram olhando isso e aquilo; de repente, Luís Antônio suspirou fundo batendo as mãos nas pernas e levantou dizendo:       
— Bom!... Vamos parar de nos iludir... A nossa realidade é outra. Acho que chegou a hora de ir, senão quando chegar em casa vou ficar maluco com outra coisa.
O amigo ainda sentado e olhando pra ele aos risos, perguntou:
— Ficar maluco por que, Luís?
— Por chegar tarde para o almoço e tomar bronca da dona da pensão. E a minha mulher é brava que só ela... Então deixa eu ir... – falou e já ia saindo.
Nisso, o amigo também levantando pra sair se expressou aos risos:
— Eu também não quero levar bronca, pois a minha mulher não é nada diferente da sua, sabe? Aliás, nem sei que é mais brava. Vamos embora, amanhã a gente se vê, tchau!
Aos primeiros passos ele disse:
— Tchau, amigo! Quem sabe amanhã não apareça outra mais bonita que a de hoje pra gente continuar se iludindo? – disse isso e foi embora rindo...
* * * 

Na expectativa de que tenham gostado deste Conto, deixo o meu abraço e os votos de um resto de semana maravilhoso. 

Até a próxima!   
____________________________________________ 

29 comentários:

Cidália Ferreira disse...

Bom dia

Parabéns pelo maravilhoso texto que nos traz.

Beijinho
http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/

Laura Santos disse...

Ah os homens são iguais em todo o lado, e em todas as idades; sempre gostarão de apreciar mulheres bonitas! "O lobo perde a pele, mas não perde a mania" ;-)
Fez-me lembrar uma da praças centrais aqui em Lagos, local com muitos bancos, árvores e floreiras, onde muitos homens já reformados passam horas a conversar e a apreciar as mulheres que passam, sobretudo as estrangeiras em férias, que geralmente vestem menos roupa.
Um belo conto, com diálogos simples e fascinantes.
E gostei da ideia de terem de voltar para casa a horas do almoço, porque uma esposa não brinca com questões de horário! ;-))
xx

lis disse...

Gostei JR
É normal os homens virarem a cabeça para apreciar mulheres bonitas ... rs
e a conversação e olhares entre eles é interessante!
O homem tem que se garantir diante de uma mulher bonita _ nada de medo oras... rs
bons dias e abraços meus

Nelma Ladeira disse...

Realmente todos os homens são iguais!
Até os mais pacatos!!
Ficavam sentados só observando,sem falar nada.
Não havia nada interessante até o momento que a linda moça passou!!
Então qualquer ser humano,homens ou mulheres precisam de algo para animar a vida!
Adorei o conto!
Beijinhos meu amigo J.R.Viviani

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

Gostei do conto, você tem o dom.
Beijo*

Elyane Lacerdda disse...

Os homens se acham!!!!!!Têm sempre que comprovar a masculinidade , ainda mais perto dos amigos!
As mulheres são mais discretas e mais inteligentes quando se trata de "um olhar diferenciado"!
Gostei muito do conto!
real mesmo!!!!
Bjus
http://www.elianedelacerda.com

Célia Rangel disse...

Parabéns pelo conto que reflete bem a vida como ela é... Tenho pra mim que, o belo é pra ser visto, elogiado, apreciado, sonhado e, por que não... conquistado! Independente de idade, sexo, raça ou objeto! Sonhar faz bem!
Abraço.

Bell disse...

Os homens tem a necessidade de conquista, e mesmo depois de mais experientes esse desejo permanece.
São essas aventuras que fazem com o que ser humano se sinta mais vivo.
Uma ótima tarde pra vc =)

JAIRCLOPES disse...

Soneto-acróstico
Conto

Colocando as letras no seu lugar
Onde cada uma tem significado
Nasce um texto um tanto lapidar
Traduzindo o cenário traquejado.

Autor assume cena do dia-a-dia
Nela fazendo a leitura particular
Descrevendo como alguém faria
Ouvindo esse personagem falar.

Ociosos esses amigos na praça
Conversam uma prosa distraída
Onde a vida bem devagar passa.

Nessa tão normal rotina seguida
Tira esse autor evento com graça
Ourives que é de esculpir a vida.

MARILENE disse...

Um conto delicioso de se ler. Uma conversa de poucas palavras, que traz recordações e, finalmente, a realidade.
Muito bom! Abraço.

Arione Torres disse...

Oi amigo, ótimo conto, adorei1
Tenha uma excelente semana, abraços!!

Leila Bomfim disse...

Adorei o conto. Muito bem narrado meu amigo Viviani. Um abraço.

Leila Bomfim disse...

Adorei o conto. Muito bem narrado meu amigo Viviani. Um abraço.

Marina Fligueira disse...

¡Hola, Vendedor de ilusiones!!!!

Que bonita ilusión... Más bien ilusionados de la vida... Esos dos.
Ojeando la juventud divina, o divina juventud. Es verdad que el hombre cuando se hace un poco mayor: Aunque su mujer sea muy guapa, tiende a mirar a las chicas jóvenes. Y, bueno si solo es mirar... Nada pasa.
Me ha encantado esta lectura.
Gracias siempre por todo, buen hombre.
Un abrazo felices fiestas navideñas y un próspero año nuevo.
Besos azules en vuelo.

Vanuza Pantaleão disse...

Adorei, amigo!
Você nos trouxe de modo bem humorado um pouco do "clube do Bolinha", como se dizia antigamente do fechado mundo masculino. Mas saiba que as mulheres também têm a mesma insegurança em relação aos homens bem apessoados. Enfim, vá-se entender o ser humano!
Viviani, Natal chegando, né?
Muita paz e inspiração para ti nesse e em todos os Natais!!!Bjsss

Guaraciaba Perides disse...

Uma conversa de poucas palavras e muitos significados entre dois homens
vividos mas que se dão ao prazer de sonhar, embora cientes dos seus sonhos em uma filosofia bem humorada sobre a passagem do tempo...um bom conto que nos leva a viajar no tempo e no espaço.
Um abraço

Cristina disse...

Un relato fantástico!

Te deseo un hermoso fin de semana, besos!
....*☆.¸.☆*'
....*☆.@@☆*'
.*☆.@@@@☆*'
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...☆*@@@@`*☆.¸¸
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Marcia Pimentel disse...

Olá, Viviani!
Muito bom o seu conto. Gostei muito de ler a conversa de Homero e Luis.
Bjs.

Viviani, você tem conta no Wattpad ou no Widbook? Se tiver me envia o link da sua página.

Evanir disse...

Depois de um longo afastamento estou tentando de alguma forma
visitar minhas lindas amizades.
Logo chegará o Natal é justo estar entre as
amizades que esteve comigo no decorrer desse ano.
Levando meu eterno agradecimento
a única palavra para traduzir
tudo que estou sentindo nesse momento.
Sua amizade é muito importante para mim
um presente grandioso de Deus.
Um feliz final de semana beijos.
Evanir.

Historinhas da Suzaninha disse...

Gostei do seu conto! Bom conhecer seu trabalho! :D

dinapoetisadapaz disse...

Assim como os homens devaneiam com belas imagens, nós mulheres não somos diferentes.Afinal, admirar o belo não é pecado. Adorei seu conto, envolvente do início ao fim. Parabéns Viviani!

PS: Obrigada pelas gentis palavras alusivas ao meu poema, saber-me lida por um poeta do seu quilate é um grande presente.
Feliz e abençoado findi!
Bjs no coração!

Daniel Costa disse...

O conto, a meu ver, é fantástico, uma ficção, rondar muito a realidade. Valeu a pena te e reler.
Parabéns!
Abraços

Rita Sperchi disse...

Hoje vim deixar meu abraço pelo ano
todo que vc esteve comigo, agradeço seu carinho
vou sair de férias e volto em janeiro com meus posts
favoritos, espero que nossa amizade permaneça em 2015
Desejo um feliz Natal e um novo ano cheio de muita Paz

Aqui minha gratidão por tudo

└──●► *Rita!!

cris braghetto disse...

Pois é, Viviani!
O belo estimula a imaginação e nos tira da ociosidade.
Os detalhes com que descreve os modos de cada personagem e o desenrolar da história, são envolventes.
Parabéns pelo ótimo conto; muito expressivo.
Um grande abraço e uma ótima semana.

Existe Sempre Um Lugar disse...

Bom dia, os homens são aqueles que apreciam o que é para apreciar, faz parte do automatismo do homem.
AG

ॐ Shirley ॐ disse...

Prendeu a atenção, Viviani. Mas, dizer o quê? O ser humano é assim mesmo... A idade chega, mas, o coração nunca envelhece.
Beijo!!!

Filha do Rei disse...

Parabéns pelo conto! Da maneira que escreves leva-nos a cada narração, descrição.
Tenha uma abençoada semana. Bjs

Ani Braga disse...

Oi José querido


Adorei o conto...

A imaginação é uma coisa fantástica...



Beijos
Ani

Elvira Carvalho disse...

Eu gostei. E muito. Por andar às voltas com um tempo que cada dia se mostra mais fugidio, só hoje li este conto.
Um abraço e tudo de bom para si.