22 de janeiro de 2015

Contos


Prezada leitora e caro leitor, é com satisfação que lhes apresento outro Conto da minha autoria.
Vamos a ele:





Um rapaz com seus dezessete pra dezoito que na sua infância, exatamente por ser um menino bonzinho, obediente, além de bonito, as pessoas para agradá-lo quando a ele se referiam chamavam-no carinhosamente por “Carlinhos”, apelido que acabou ganhando com o diminutivo do seu nome, acostumando todos que o conheciam a assim chamá-lo. 
Carlinhos não era somente um jovem bonito, alto e forte, de pele clara, cabelos pretos ondulados, face singela e de expressão franca, era acima de tudo, atraente às mulheres pela forma comedida e cuidadosa de conduzir suas amizades e falar pra esse e pra àquele sobre os seus relacionamentos, em outras palavras, era um jovem reservado que sabia e fazia questão de manter absoluto segredo e sigilo sobre os seus relacionamentos...
Como não podia deixar de ser, Carlinhos tinha as suas “namoradinhas” aqui e ali; por uns tempos tinha uma, por outros tinha outra e assim ia...
Claro que ele, mesmo namorando por pouco tempo essa ou aquela, não negava ter simpatia por elas, por umas mais e por outras menos, mas sempre tinha, já que a escolha das suas namoradas era como se fossem feitas a dedo – digamos assim; ele era muito exigente quanto a isso e só namorava quem lhe atraísse de fato.
Inegavelmente, Carlinhos tinha muitas “namoradinhas”, sem dúvida, entretanto, nem ele sabia o porquê, talvez Freud explicasse – como ele mesmo achava, sentia forte atração por mulher mais velha. Se sentia atração descomunal por mulher mais velha, por mulher casada então nem se fale, até tremia quando via uma mais bonita que o normal. Talvez fosse a experiência que estas demonstravam ter com olhares que induziam lascívia ou coisa assim.
O fato que ele sentia frenesi indescritível na presença de mulher mais velha, sendo levado a quimeras libidinosas forradas de luxuria por vezes incontroláveis.
Certo dia, quando ele retornava do trabalho indo pra sua casa, não era seu costume, mas acabou mudando o trajeto e caminhava por um quarteirão onde haviam casas geminadas dos dois lados da rua, – dessas com entrada lateral por um portão e as venezianas das janelas dos quartos dando pra calçada. 
De repente, quando caminhava, sem a mínima intenção ou razão, ao passar defronte a uma dessas, acabou olhando pelo portão e viu no corredor da casa uma mulher; uma bela e atraente mulher por sinal, usando vestido justo de tecido florido que realçava o seu corpo escultural deixando evidente sua graciosidade e formosura exuberante. A mulher era atraente a ponto de lhe dar comichão para saber quem era ela, mas, desencorajado para tal, seguiu em frente e nem pensar de olhar pra trás...
No dia seguinte, aguçado pelo ocorrido no dia anterior, ele procurou fazer a mesma coisa e no mesmo horário: passou defronte da casa com o firme e único propósito de vê-la e nem pensar de não.
Caminhando pela calçada da rua da mulher, a certa distância, ele pôde vê-la no portão da casa; com isso, já sentiu arrepios correndo pelo corpo que aumentaram em profusão quando ao passar por ela, viu os seus olhares e seus sorrisos...
O silêncio insinuante dos olhares e os sorrisos maliciosos da mulher lhe deram até frio na barriga – sentindo as pernas ficarem moles. Mas, nem pensar em parar, - seguiu em frente..., carregando uma sensação estranha e sorrindo a cada passo, – sorrisos de prazer mesclados por dúvidas.
“Falo ou não falo com essa mulher?”
Pensava e se sentindo desencorajado, parava de pensar, entretanto, de tão atraído, voltava.
“Falar?... Nem pensar... O marido, se souber, me come vivo!”
E assim as coisas seguiram. Um dia via os sorrisos dela, em outro sentia falta por não vê-la e ia tocando...
Até que num daqueles dias, no intervalo de almoço, ele resolveu fazer companhia a um colega de trabalho que ia ao centro da cidade comprar algo – nem sabia direito o que, mas foi acompanhando o rapaz despretensiosamente.
Caminhavam juntos, sob sol forte, por ruas tranquilas com pouco movimento, quando, de repente, ao virarem uma esquina, ele viu, na mesma calçada, a mulher vindo no sentido contrário e que iam, fatalmente, se cruzarem. Sentiu até engasgo só em pensar que iam se cruzar; sentiu e foi o que aconteceu. A mulher passou por ele lhe pondo sorrisos desmedidos e insinuantes a ponto de deixar o rapaz admirado e falar pra ele:
Carlinhos..., como essa mulher te olhou?... É tua amiga?...
Tentando disfarçar, ele respondeu:
Que amiga?... Tá louco?
Ah, deixa de coisa! Fala pra mim, vai! – insistiu o colega.
Falar o quê?...
Você sabe do que falo. Abre o jogo! Já teve caso com ela, não teve?
Carlinhos até se assustou, exclamando:
Que é isso?... Não está vendo que é uma senhora casada?
O colega riu-se.
Senhora casada, né? Senhora casada que te sorri daquele jeito? Tá querendo o quê? Tapar o sol com a peneira ou acha que sou burro.
Carlinhos riu-se e disse:
Ah, vai, meu!... Nem pensar..., deixa isso pra lá!
Depois do ocorrido e da conversa com o colega, mesmo ele dizendo pra deixar a coisa pra lá e nem pensar, ele mesmo não conseguia, ficou tão aguçado pelo desejo de falar com ela e quem sabe conhecê-la, que a toda hora, a todo instante, estava pensando na mulher, – não a tirava da cabeça.
Até que finalmente um dia, ao passar e vê-la no portão dando a nítida impressão de esperá-lo, ele resolveu arriscar e parou vendo os sorrisos encantadores dela; sorrisos que se tornaram ainda mais encantadores quando ela, lhe deixando embasbacado, sem dizer absolutamente nada, abriu o portão induzindo para que ele entrasse e, logo em seguida, abriu a porta sala. 
Sentindo como se o coração fosse sair pela boca e calafrios arrepiando por toda parte, naquele momento e por muitos outros mais, Carlinhos não quis nem pensar...
* * *
Caras amigas e amigos, este foi outro dos meus Contos e espero que tenham gostado; até a próxima e abraço a todos!
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30 comentários:

Célia Rangel disse...

Viver momentos. Todos. Carlinhos vive com intensidade. Guardada as devidas "cautelas", ele age certo. Esse é um conto da vida real, Viviani. Aqui você nos "vende a ilusão" do amar e ser amado. Muito bom! Parabéns!
Abraço.

Cidália Ferreira disse...

Gostei muito!! Parabéns!

Beijinhos

http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/

Laura Santos disse...

Ah esse Carlinhos é um verdadeiro desassossego!..:-)
E com muito proveito, pelos vistos, já que se há rapazes jovens que se sentem atraídos por mulheres mais velhas, também existem mulheres que se sentem atraídas por rapazes jovens. Na verdade, o facto de ele até parecer ter uma certa preferência pelas que são casadas, poderá até, quiçá, estar relacionado com a questão do "fruto proibido" poder ser o mais apetecido, no sentido da transgressão, na qual o risco pode ter um papel de afrodisíaco, já que ele parece ter facilidade em atrair namoradas...
Belo conto, Viviani! Sobre algo que acontece não raramente.
xx

Isy disse...

Fantástico! Gostei muito!

Bjxxx

Existe Sempre Um Lugar disse...

Boa tarde, pelo diminutivo do nome ninguém pensa da capacidade do carlinhos, o conto é fantástico, no final não foi o carlinhos que conquistou, passou de conquistador a conquistado.
AG

Agostinho disse...

Obrigado pela visita à minha modesta janela.
Venho aqui pela primeira vez e, para começar, deparo-me com a malandrice do Carlinhos. Gostei. Não será o mesmo do pó de talco?
O menino Carlinhos é um sabidão. Faz as coisas sem precipitações, tal como elas gostam, não é verdade?

Graça Pereira disse...

Tudo poderia ter acontecido...porque não? Continua com os teus contos.
parabéns
Graça

Filha do Rei disse...

Vivendo o que não é conhecido, tendo expectativas sobre o improvável.
Gostei de te ler. Tenha lindos dias. Bjs

Guaraciaba Perides disse...

Hormônios à flor da pele...normal para a idade. Ficou a história para ser contada. Um abraço

Elyane Lacerdda disse...

Viver intensamente todos os momentos, não há idade para essa sabedoria!
Bjus
http://www.elianedelacerda.com
Lindo conto,amigo escritor!

Zilani Célia disse...

OI J. R. VIVIANI!
GOSTEI IMENSAMENTE, POIS ADMIRO TEU TRABALHO E QUANDO VENHO AQUI, JÁ SEI O NÍVEL DO QUE VOU ENCONTRAR.
ABRÇS E UM ÓTIMO FINAL DE SEMANA.
http://zilanicelia.blogspot.com.br/

ॐ Shirley ॐ disse...

Que parada brusca, Viviani. Estava tão interessante, eu queria saber um pouquinho mais rs...
Muito bom, beijo!

Graça Pires disse...

A arte de contar... Um conto que li com imenso gosto.
Abraço.

Mariangela disse...

Oi J.R. São sempre lindos os teus contos! Admiro muito o teu dom!
Este então é muito bom.Parabéns!
Abraços!
Mariangela

Andreia Morais disse...

Fantástico!

r: Muito, muito obrigada :)
Beijinhos*

Evanir disse...

Meu caro amigo! Eu procuro sempre olhar pra trás...
Beijos.
Bom Fim De Semana .
Grata por sua visita é sempre um prazer ver seu comentário.

Gracita disse...

Caro amigo Viviani
O Carlinhos na sua polidez acabou conquistando ou sendo conquistado por aquela que poderá ser o grande amor de sua vida. Um conto fabuloso!
Bom final de semana
Um abraço

Nelma Ladeira disse...

O Carlinhos não perdeu tempo hem!
Mas também com o charme da mulher...
prazeroso de ler!
Beijinhos e um lindo fim de semana,meu querido amigo.

Marta Vinhais disse...

A vida é feita destes momentos... Conquistar, ser conquistado...
Gostei muito.
Obrigada pela visita
Beijos e abraços
Marta

Pedro Luis López Pérez (PL.LP) disse...

En el Amor y en la seducción siempre hay un Misterio escondido. En ese frenesí nuestro corazón siempre está al borde de la extenuación.
Ante la sonrisa de una bella mujer nadie puede resistirse.
Magnífico Relato. Es un placer sumergirme en estas Historias llenas de dinamismo y vitalidad.
Abraços.

Pérola disse...

Uma história saída da realidade.

Beijinhos

Mirtes Stolze. disse...

Boa noite.
Um belo conto, acontece muito de homens se interessar por mulheres casadas e mais velhas, acho que é uma maneira de se ver livre de compromissos rsrs. Mas é nessa que a atração vira um perdição e eles acabam mortos rsrs, ou presso em uma mulher casada, no meu ponto de vista entram em uma furada, pois a mulher que não respeita o seu marido com certeza não vai respeita-lo no futuro, serão com certeza traído.
Um lindo fds.
Abraços.

Aparecida Ramos disse...

Bela escrita, querido! Sequestrei e publiquei em meu blog, só falta agora você pagar o resgate rsrs. Obrigada por nos contar mais um conto, uma história que pode ter acontecido de verdade. Feliz semana te desejo, poeta! Obrigada também por visitar meu singelo cantinho rosachoquee...
Beijos ternos e forte abraço!
Bom dia!!!

Dilmar Gomes disse...

Amigo JR, teus contos são bem escritos, descomplicados, gostosos de se ler. Muito bons.
Um abração. Tenhas um ótimo domingo.

Lu Nogfer disse...

Ixi! O bicho vai pegar!rs
Eu tenho um amigo que diz que se relacionar com mulher casada, é um pé na vida outro na tumba!rsrs

Mas agora falando sério... Tu sabe contar casos de uma forma tão instigante que deixa este gostinho de quero-mais...ADOREI!!!

Ah! E assim que eu fizer a minha cx postal dos correios(pois a entrega em meu bairro, de todas as formas, esta uma zorra.) quero adquirir os teus livros. Mas acho que vou começar pelo "Adeus Solidão" que li umas resenhas que me deixaram bem curiosa. Mas vou te escrever antes pra pedir sua opinião.
E parabéns!

Beijos.

JAIRCLOPES disse...

Soneto-acróstico
A Jotaerre

Conta-se que certa vez em algum canto
Ou talvez em algum lugar sem encanto
Nasceu talvez na mente de autor pronto
Tesouro literário num formato de conto.

Assinava-se Jotaerre o escritor, portanto
Nas suas linhas deitava pois, um manto
De onde saíam como fosse contraponto
Ousados temas sem qualquer pesponto.

Onde ao encará-lo nunca nem desmonto
Contrário, cá é fonte de prazer e espanto
Onde conta um conto aumenta um ponto.

Não que precise comentar por enquanto
Tenho que admitir, não existe confronto
O mais da vezes gosto muito no entanto.

Elvira Carvalho disse...

Eu gostei e muito.
Um abraço e bom Domingo.

Cristina disse...

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…Me gusta la gente que tiene personalidad.

Me gusta la gente capaz de entender que el mayor error del ser humano, es intentar sacarse de la cabeza aquello que no sale del corazón.

La sensibilidad, el coraje, la solidaridad, la bondad, el respeto, la tranquilidad, los valores, la alegría, la humildad, la fe, la felicidad, el tacto, la confianza, la esperanza, el agradecimiento, la sabiduría, los sueños, el arrepentimiento y el amor para los demás y propio son cosas fundamentales para llamarse GENTE.

Con gente como ésa, me comprometo para lo que sea por el resto de mi vida, ya que por tenerlos junto a mí, me doy por bien retribuido.
(Fragmento de “La Gente que me Gusta”- Mario Benedetti.)

Espero que este año que recién comienza te ilumine con sus mejores luces, ese es mi deseo para vos.
Un gran abrazo a la distancia.
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Ani Braga disse...

Passando para deixar um abraço e desejar uma semana cheia de paz para todos nós.

Beijos
Ani

Marina Fligueira disse...

¡Hola, J-R!!!

Muy bueno el texto con la historia o cuento de Carlinhos.

Me ha encantado: La timidez no deja paso libre a la libertad, pero bueno el chico acabó dando con la guinda.
He sido un placer pasar por tu casa, con esto de la gripe, voy despacio en busca de mis blogs amigos. El tuyo es uno de ellos.
Te dejo mi gratitud y mi estima siempre.
Un abrazo y besos azules en vuelo.
Feliz semana.